Eliana Tomaz

memórias de londres

LONDRES 2015 | Broadway Market.

Eliana TomazComment

A semana chega ao fim, os dias de descanso aproximam-se e a vontade de explorar mercados de frescos é infinita. Por norma, tenho o privilégio de comprar vegetais e legumes frescos de 15 em 15 dias quando vou à Maceira mas infelizmente a diversidade de alimentos não chega àquela que encontramos nos mercados que todos os sábados saem às ruas de Londres. 

Este é no Este de Londres, perto de London Fields - Broadway Market - onde os meus amigos vivem (e me deixaram pernoitar 3 noites há 15 dias). Uma rua bonita mesmo ao pé do canal com cafés e lojas de ambos os lados, bancadas de venda ao centro como tudo o que se possa imaginar e mais algumas coisas. 

Bom fim-de-semana e de preferência com família, amigos e comida da boa.

Selecção de queijos nacionais e internacionais invejável. 

Agora que ando a aprender a gostar e cozinhar cogumelos a vontade de trazer este cesto para casa era enorme... mas contive-me! 

Podia comer um Scotch Egg todos os dias que não me chateava nada. 

Pão, pão, pão, pão. Levo um de cada!  

Comida do mundo a ser feita ali mesmo à frente de todos sem truques nem manhas. Até a fotografia cheira. 

Um Red Velvet para todos, sem gluten e com muito sabor - yummy! 

Entradas, prato principal, sobremesas e ainda tarteletes para o lanche, ou melhor, para o 5 o'clock tea! 

LONDRES 2015 | Faye Toogood.

Eliana TomazComment

Faye Toogood é uma das minhas designers favoritas. Saber que um trabalho dela está em exibição no V&A, museu onde trabalhei, seria com certeza uma paragem obrigatória, no matter what!

Designer britânica com uma paixão por objectos verdadeiros, feitos à mão, que se encontram entre a perfeição e imperfeição, crus na estética mas essencialmente funcionais. 
Multidisciplinar nos trabalhos que executa, Faye tem um traço naive ainda que bem delineado e isso percebe-se uma vez que a sua formação académica foi em Fine Arts. Os seus trabalhos têm sempre um lado experimental, nunca acabado e sempre com espaço para torná-lo melhor (e é aí que eu acredito que começa a história entre o objecto e o seu usuário). 

The Cloakroom, projecto integrado no London Design Festival, tem como objectivo não só a apresentação da marca Toogood (que gere com a sua irmã Erica), mas também levar os visitantes a conhecer 10 dos seus locais favoritos dentro do museu, permitindo assim um conhecimento mais profundo do seu trabalho, inspiração e também das verdadeiras "jóias" que este museu criado pela rainha Victoria exibe com tanto orgulho. 

O meu tempo era demasiado limitado (antes visitei outras duas exposições e ex-colegas de trabalho) daí não ter tempo para a experiência completa, de qualquer forma fica aqui fotos da 1ª parte da instalação de uma das designers mais acarinhadas no Reino Unido. 

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Os casacos são feito com espuma comprimida da KVADRAT, marca dinamarquesa que disponibiliza têxteis de alta qualidades, essencialmente para mobiliário / sofás. 

Vida d'Objecto | O Cinzeiro Libanês.

Vida d'ObjectoEliana TomazComment

Durante 3 anos fui habitué num café / casa de comida libanesa. Ficava na Sicilian Avenue em Holborn ainda a Central Saint Martins estava espalhada pelo centro de Londres. Todos os dias eu e a De íamos lá beber café. Quando o desejo apertava não havia forma de dizer não àquela comida deliciosa que começava a saborear-se pelo cheio intenso e quente que uma cidade como Londres acolhe tão bem.

No último dia de aulas quando entregamos o projecto final de curso, nós e mais uns tantos fomos para lá comer, beber e fumar cigarros – celebrar, portanto! Fazíamos um grupo bonito, multicultural e racial, cheio de certezas mas essencialmente cheio de esperanças, sentimento este tão universal.

Nesse dia trouxe para casa este cinzeiro para marcar (mais) um stepping stone. Todos os dias o uso: umas vezes lembro-me dos amigos de lá, outras da importância que é celebrar, às vezes dá-me vontade de viajar por ai, outras de voltar a Londres.

Só os objectos per se são estáticos, já a sua essência viaja vertiginosamente p’la nossa memória.

#vidadobjecto 

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Vida d'Objecto | A Tuga Das Botas.

Vida d'ObjectoEliana TomazComment

Sou mais miúda de sapatos e ténis do que botas e sandálias – e dito isto, parece que não gosto dos estremos a meus pés. Mas há um par de botas que, apesar de rotas e completamente esfoladas ainda hoje as calço (suspeito que têm um super poder qualquer).

Comprei-as em Lisboa mas já me tinha mudado para Londres, aquela cidade gélida e demasiado apressada. Na altura vivia entre a universidade e o trabalho. Não havia tempo para contar o tempo, tudo era demasiado rápido e a exigência era só uma – conforto (do corpo e da alma).
Passeava com o meu já ex-namorado, vi-as e apaixonei-me perdidamente por elas (por ele já só restava amizade). A partir daquele dia passaram a ser a minha extensão. Na universidade era conhecida pelas botas altas, rasas sem medo e pontas sharp como o meu olhar quando algo não me convém. Aguçavam a inveja de quem queria poder a seus pés.

Fizeram milhares de quilómetros comigo. Passeamos as duas sozinhas pelas ruas de Paris, fomos a Bucareste com uma mão cheia de amigas de várias pontas do mundo, visitamos a Escócia de comboio, conhecem os markets todos de londres e o bus 23 melhor que ninguém. Foram descalçadas por mim e por um namorado, limpas poucas vezes, visitaram sapateiros sem remédio para os rasgões que têm. Nunca tiveram medo dos becos nem da escuridão de Londres, levaram-me sempre a casa sound and safe.

Nunca me deram uma dor nem nunca me abandonaram nas caminhadas difíceis e é por isso que ainda as guardo e as calço, mas agora só quando o sol brilha e o super poder é um sorriso.

Adolfo Dominguez, circa 2005

Adolfo Dominguez, circa 2005