Eliana Tomaz

design de produto

Sobre Empreendedorismo.

Eliana TomazComment

A primeira vez que me lancei por conta e risco próprios tinha 25 anos. Foi há 18 anos que me tornei empresária na área do design e decoração de interiores. Uma experiência maravilhosa, cheia de vitórias e derrotas das quais me orgulho imensamente. E orgulho-me porque saí viva de todas elas.

Quatro anos e meio a partir pedra sozinha, sem conhecimento de causa nem rede de apoio. Aprendi sobre o negócio do design bem como a dureza que é ser empresária.
Entretanto vivi mais umas 3 ou 4 vidas, o mundo do trabalho mudou drasticamente e eu jurei a mim própria que nunca mais voltaria a empreender o quer que fosse. E nunca mais porque esta coisa de lançarmos projectos próprios tem muito que se lhe diga e eu já não queria dizer-lhe mais nada.

Acontece que os empreendedores criativos têm uma qualquer bactéria dentro de si que, quando menos esperam, ela ataca. Fica-se imóvel, projecta-se o belo e sente-se dentro de si que uma qualquer salvação está nas suas mãos e, mais uma vez, sem medos avançam ainda que tenham jurado a pé juntos, como eu, que nunca mais trabalhariam por conta própria.

Mas nem tudo é difícil ou solitário. Nestes últimos 4 anos, desde que lancei a TOMAZ, encontro muitas mais empreendedoras e portos seguros, como as lojas que me/nos representam. E isto é muito gratificante.

Um exemplo único é a ICON Shop (Rua Nova da Trindade em Lisboa) que representa-nos com toda a sua garra e ainda promove ajuntamentos casuais entre artistas e designers, amigos e conhecidos numa qualquer sexta-feira à tarde.
Não é para falarmos de negócios nem das dificuldades que enfrentamos diariamente. É tão e somente para conversar, aquilo que hoje em dia já começa a escassear, ainda que seja tão essencial à condição humana (e empreendedora).

Fotografia de Maria Manuel Lacerda, co-owner da ICON Shop.

Fotografia de Maria Manuel Lacerda, co-owner da ICON Shop.

LONDRES 2015 | Faye Toogood.

Eliana TomazComment

Faye Toogood é uma das minhas designers favoritas. Saber que um trabalho dela está em exibição no V&A, museu onde trabalhei, seria com certeza uma paragem obrigatória, no matter what!

Designer britânica com uma paixão por objectos verdadeiros, feitos à mão, que se encontram entre a perfeição e imperfeição, crus na estética mas essencialmente funcionais. 
Multidisciplinar nos trabalhos que executa, Faye tem um traço naive ainda que bem delineado e isso percebe-se uma vez que a sua formação académica foi em Fine Arts. Os seus trabalhos têm sempre um lado experimental, nunca acabado e sempre com espaço para torná-lo melhor (e é aí que eu acredito que começa a história entre o objecto e o seu usuário). 

The Cloakroom, projecto integrado no London Design Festival, tem como objectivo não só a apresentação da marca Toogood (que gere com a sua irmã Erica), mas também levar os visitantes a conhecer 10 dos seus locais favoritos dentro do museu, permitindo assim um conhecimento mais profundo do seu trabalho, inspiração e também das verdadeiras "jóias" que este museu criado pela rainha Victoria exibe com tanto orgulho. 

O meu tempo era demasiado limitado (antes visitei outras duas exposições e ex-colegas de trabalho) daí não ter tempo para a experiência completa, de qualquer forma fica aqui fotos da 1ª parte da instalação de uma das designers mais acarinhadas no Reino Unido. 

image.jpg
image.jpg
image.jpg
image.jpg
image.jpg
image.jpg
image.jpg
image.jpg
image.jpg

Os casacos são feito com espuma comprimida da KVADRAT, marca dinamarquesa que disponibiliza têxteis de alta qualidades, essencialmente para mobiliário / sofás. 

Vida d'Objecto | O Cinzeiro Libanês.

Vida d'ObjectoEliana TomazComment

Durante 3 anos fui habitué num café / casa de comida libanesa. Ficava na Sicilian Avenue em Holborn ainda a Central Saint Martins estava espalhada pelo centro de Londres. Todos os dias eu e a De íamos lá beber café. Quando o desejo apertava não havia forma de dizer não àquela comida deliciosa que começava a saborear-se pelo cheio intenso e quente que uma cidade como Londres acolhe tão bem.

No último dia de aulas quando entregamos o projecto final de curso, nós e mais uns tantos fomos para lá comer, beber e fumar cigarros – celebrar, portanto! Fazíamos um grupo bonito, multicultural e racial, cheio de certezas mas essencialmente cheio de esperanças, sentimento este tão universal.

Nesse dia trouxe para casa este cinzeiro para marcar (mais) um stepping stone. Todos os dias o uso: umas vezes lembro-me dos amigos de lá, outras da importância que é celebrar, às vezes dá-me vontade de viajar por ai, outras de voltar a Londres.

Só os objectos per se são estáticos, já a sua essência viaja vertiginosamente p’la nossa memória.

#vidadobjecto 

image.jpg

Vida d'Objecto | A Tuga Das Botas.

Vida d'ObjectoEliana TomazComment

Sou mais miúda de sapatos e ténis do que botas e sandálias – e dito isto, parece que não gosto dos estremos a meus pés. Mas há um par de botas que, apesar de rotas e completamente esfoladas ainda hoje as calço (suspeito que têm um super poder qualquer).

Comprei-as em Lisboa mas já me tinha mudado para Londres, aquela cidade gélida e demasiado apressada. Na altura vivia entre a universidade e o trabalho. Não havia tempo para contar o tempo, tudo era demasiado rápido e a exigência era só uma – conforto (do corpo e da alma).
Passeava com o meu já ex-namorado, vi-as e apaixonei-me perdidamente por elas (por ele já só restava amizade). A partir daquele dia passaram a ser a minha extensão. Na universidade era conhecida pelas botas altas, rasas sem medo e pontas sharp como o meu olhar quando algo não me convém. Aguçavam a inveja de quem queria poder a seus pés.

Fizeram milhares de quilómetros comigo. Passeamos as duas sozinhas pelas ruas de Paris, fomos a Bucareste com uma mão cheia de amigas de várias pontas do mundo, visitamos a Escócia de comboio, conhecem os markets todos de londres e o bus 23 melhor que ninguém. Foram descalçadas por mim e por um namorado, limpas poucas vezes, visitaram sapateiros sem remédio para os rasgões que têm. Nunca tiveram medo dos becos nem da escuridão de Londres, levaram-me sempre a casa sound and safe.

Nunca me deram uma dor nem nunca me abandonaram nas caminhadas difíceis e é por isso que ainda as guardo e as calço, mas agora só quando o sol brilha e o super poder é um sorriso.

Adolfo Dominguez, circa 2005

Adolfo Dominguez, circa 2005

Vida d'Objecto | A Caneca Que Agora É Minha.

Vida d'ObjectoEliana TomazComment

Tenho uma cena por canecas.
Adoro canecas.
Tenho montes de canecas, mesmo aos montinhos por serem tantas e não ter espaço no armário para alinhá-las uma a uma.
É o primeiro objecto que uso pela manhã (com o primeiro e último café do dia).

Esta que partilho contigo era da minha avó Maximina. Também era minha quando bebia cacau na sua cozinha – pó de cacau com água quente numa mão, um papo-seco cheio de manteiga na outra: tão bom!
A memória que ficou dela era duma caneca robusta e ao mesmo tempo delicada, proporções certas, formas bonitas, pormenores interessantes sem fazer deste objecto antiquado (como achávamos que os nossos avós eram).

Quando a resgatei fiquei triste pela quantidade de rachas e falhas que passou a exibir, mas se pensar bem a verdade é que passou a ter ainda mais importância porque quantas mais marcas, mais vida, mais sabedoria.

image.jpg