Eliana Tomaz

comida tradicional

GAMBAS | um em dois.

Eliana TomazComment

Antes de partilhar duas receitas super simples (e baratas) tenho que pedir desculpas pela ausência aqui no Peixe É Fish. O ano 2015 foi tão completo que o tempo não foi suficiente para tudo. Com o nascimento da TOMAZ , tanto este blog como o I Design Therefore I Am ficaram para trás.
Não sei se posso prometer mais dedicação ao Peixe, mas prometo que tentarei encontrar nesgas de tempo para partilhar as minhas conquistas culinárias, até porque cada vez tenho mais vontade de desenvolver as minhas habilidades.

Fã de massas e cada vez mais apaixonada por arroz à moda italiana, acabei o ano a comer uma esparguete com gambas e comecei 2016 a fazer um arroz com o caldo das cascas e cabeças das mesmas. 

Para além desta constante ainda há outra - vinho branco. Passo então aos pormenores.

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Esparguete com gambas e tomate cherry para dias cheios de fome e pouco tempo para cozinhar.

Primeiro descongelar as gambas, retirar as cascas e cabeças, adicionar sal ao miolo para entranhar bem. De seguida começar a cozer a massa em água, sal, umas gotas de azeite e pimenta em grão - escoar e guardar uma chávena desta água.
Numa frigideira colocar o azeite e alhos esmagados. Quando bem quentes, juntar os tomates cerry cortados ao meio, saltear um bocadinho de cada lado com uma pitada de sal (pouco para não ficar muito apetitoso uma vez que as gambas já estão temperadas).
De seguida juntar um copo pequeno de vinho branco - deixar evaporar o álcool em lume brando (e os tomates cozem mais um bocadinho). Atingido um molho mais espesso, saltear o miolo de camarão uns minutos de cada lado, de seguida juntar a massa previamente cozida - mexer bem e, para quem gosta de uma massa mais robusta, adicionar um bocadinho da água da cozedura. Continuar a mexer e servir em pratos quentes uma vez que as massas arrefecem muito depressa.
Já sabem - dizem os italianos que queijo parmesão não entra nas massas que levam ingredientes do mar (mas quem quiser, não se acanhe).  

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Quando forem arrumar a cozinha depois de saborearem a massa, ponham água a ferver, adicionem as cascas e cabeças das gambas com uma pitada de sal - menos de 5 minutos em ebulição e está bom! Reservar tal e qual.

Dia a seguir, agarrar no caldo, aquecê-lo bem e triturar tudo - escoar de seguida e reservar esta riqueza tão simples. Na minha ideia, deixar os remanescentes das gambas inteiros de um dia para o outro faz o caldo mais rico em sabor - manias!

Numa frigideira, juntar o azeite e os alhos - aquecer bem. De seguida as chalotas bem picadas, alourar e só depois o arroz (carolino ou tipo "risotto" como já se vê à venda). Fritar uns tempos e envolver tudo com muita mestria - juntar o vinho branco. Em lume brando deixar o álcool evaporar. De seguida começar a juntar o caldo caseiro. À medida que cada concha ia evaporando, juntava mais uma. Como não sigo receitas à risca, ia provando o arroz até chegar àquele ponto que mais gosto - altura para juntar os mexilhões (em conserva) para aquecê-los. Voltei a mexer muito cuidadosamente (tirei esta foto) e fui para a mesa - tão bom!

Simples, um mais rápido do que outro, ambos deliciosos. Bom apetite e que 2016 seja tão saboroso quanto o vosso paladar desejar!

 

PS - da próxima vez faço suar uns mexilhões frescos para fazer um arroz malandro com o caldo. Parece-me bem! 

CAÇÃO | do Alentejo só vem conforto.

Eliana TomazComment

Por norma não gosto de sopas nem consigo comer açordas alentejanas. Por mais que ame qualquer forma de pão, que experimente o prato feito por mãos tradicionais ou por inovadores na matéria, não consigo comer pão “deixado” num caldo aromatizado com coentros. É uma pena, eu sei! Também sei que “não faço ideia do que é bom”, mas esta é a minha verdade!

Mas não gostar das açordas não quer dizer que não goste de molhar o pão no molho ou no caldo – porque gosto – muito menos que não gosto de comida alentejana – porque adoro! Por isso, sempre que a refeição implica pão como ingrediente principal eu arranjo forma de saboreá-la à minha maneira.

Foi o que fiz ontem. Tinha umas postas de cação, procurei pela famosa receita (que é conhecida no Alentejo mas pelos vistos tem origens no Algarve) e cá está: peixe dum lado coberto de um caldo forte e vinagrado com as fatias de pão do outro para ir molhando a cada garfada (não alentejano, mas sim da minha terra).

STYLING: prato Muji, talheres comprados no mercado de Portobello em Londres e copo da Schott Zwiesel.

STYLING: prato Muji, talheres comprados no mercado de Portobello em Londres e copo da Schott Zwiesel.

INGREDIENTES:
Vinagre branco (eu usei vinagre de cidra)
Azeite Virgem Extra (o meu é de santarém)
Alhos picados (eu laminei-os)
Coentros picados (caules e folhas)
Louro
Colorau (uma colher chá que adicionei ao vinagre para diluir)

Marinar o cação com estes ingredientes todos (eu coloquei-a no frio durante 3 horas)
Num tacho / panela tapar o fundo com azeite, deixar aquecer e juntar o cação. Logo de seguida adicionar a marinada + sal & pimenta. Adicionar água até tapar o peixe. Deixar cozinhar em lume brando durante 20 minutos. Tirar o cação e juntar farinha para o caldo engrossar (colher a colher para se controlar melhor).
Colocar o peixe numa travessa, juntar-lhe o caldo e as fatias de pão (ao lado ou já embebidas).

Da próxima vez vou fazer umas alterações – faço a mesma marinada mas quando a adicionar à cozedura retiro os coentros. Antes de servir junto um ramo da erva aromática fresca. É capaz de ficar melhor, não achas? 

Para acompanhar bebi um branco bem fresquinho com castas de moscatel graúdo e fernão pires. 

Para acompanhar bebi um branco bem fresquinho com castas de moscatel graúdo e fernão pires. 

Destas terras só vem conforto, comida simples que abraça pelo cheiro e pelo sabor. Se a modéstia alguma vez for materializada será com certeza num prato de comida alentejana.

#BomApetite

À Mesa Da Filomena | Sopa Alentejana.

À Mesa DeEliana TomazComment

É com este prato muito tradicional que inicio mais uma rúbrica deste blog – Á Mesa De.


Apresento a mesa da Filomena, que adora cozinhar e providência verdadeiros repastos aos seus convidados com toda a elegância, ainda que se trate dum simples caldo alentejano.  Obrigada e até breve. 

Pois é, acompanhei a minha sopa com vinho tinto. Bem sei que devia considerar um branco, mas quando a comida é assim, confortável e confortante, a mim pede-me sempre um tinto. 

Por incrível que pareça, durante os 11 dias que estive no Alentejo comi mais do mar do que da terra. Berbigão, ostras, salmão, anchovas, polvo, pescada e como não podia deixar de ser, bacalhau!
Pela primeira vez provei a famosa Sopa Alentejana. Já tinha ouvido falar dela, mas não me tinha suscitado muita curiosidade uma vez que não sou grande apreciadora de caldos e sopas.
A verdade é que me tornei fã – esta sopa, só não é fácil de fazer (ou pelo menos parece) como é deliciosa, confortante e riquíssimo em sabores variados.
Adorei o sabor e textura do queijo de cabra fresco depois de cozinhado à volta daqueles coentros e espinafres. Ovos escalfados, nunca digo não: é provavelmente a forma de os cozinhar que mais aprecio.

Antes de passares à receita, aprecia bem esta mesa imaculadamente bem-posta. Tão serena que dá vontade reproduzi-la todos os dias. Bom apetite!

Modo de Preparação:
Numa panela refoga-se uma cebola, alhos e azeite virgem extra. Quando estes 3 ingredientes estiverem os sabores bem envolvidos, juntar um ramo de coentros cortado aos pedaços grandes – folhas e caules. Mexer bem, juntar os espinafres e água q.b..
Entretanto adicionar as postas de bacalhau. Uns minutos depois juntar o queijo fresco de cabra cortado aos quartos e abrir os ovos lá para dentro. Verificar sal. Deixar cozinhar até que os ingredientes fiquem no ponto que consideras o perfeito.

NOTA: tanto os coentros, espinafres como o bacalhau libertam muita água. Para o caldo ficar com a consistência certa, não juntes muita água à cozedura.

Ainda na panela depois dos ingredientes estarem todos juntos.