Eliana Tomaz

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CAÇÃO | do Alentejo só vem conforto.

Eliana TomazComment

Por norma não gosto de sopas nem consigo comer açordas alentejanas. Por mais que ame qualquer forma de pão, que experimente o prato feito por mãos tradicionais ou por inovadores na matéria, não consigo comer pão “deixado” num caldo aromatizado com coentros. É uma pena, eu sei! Também sei que “não faço ideia do que é bom”, mas esta é a minha verdade!

Mas não gostar das açordas não quer dizer que não goste de molhar o pão no molho ou no caldo – porque gosto – muito menos que não gosto de comida alentejana – porque adoro! Por isso, sempre que a refeição implica pão como ingrediente principal eu arranjo forma de saboreá-la à minha maneira.

Foi o que fiz ontem. Tinha umas postas de cação, procurei pela famosa receita (que é conhecida no Alentejo mas pelos vistos tem origens no Algarve) e cá está: peixe dum lado coberto de um caldo forte e vinagrado com as fatias de pão do outro para ir molhando a cada garfada (não alentejano, mas sim da minha terra).

STYLING: prato Muji, talheres comprados no mercado de Portobello em Londres e copo da Schott Zwiesel.

STYLING: prato Muji, talheres comprados no mercado de Portobello em Londres e copo da Schott Zwiesel.

INGREDIENTES:
Vinagre branco (eu usei vinagre de cidra)
Azeite Virgem Extra (o meu é de santarém)
Alhos picados (eu laminei-os)
Coentros picados (caules e folhas)
Louro
Colorau (uma colher chá que adicionei ao vinagre para diluir)

Marinar o cação com estes ingredientes todos (eu coloquei-a no frio durante 3 horas)
Num tacho / panela tapar o fundo com azeite, deixar aquecer e juntar o cação. Logo de seguida adicionar a marinada + sal & pimenta. Adicionar água até tapar o peixe. Deixar cozinhar em lume brando durante 20 minutos. Tirar o cação e juntar farinha para o caldo engrossar (colher a colher para se controlar melhor).
Colocar o peixe numa travessa, juntar-lhe o caldo e as fatias de pão (ao lado ou já embebidas).

Da próxima vez vou fazer umas alterações – faço a mesma marinada mas quando a adicionar à cozedura retiro os coentros. Antes de servir junto um ramo da erva aromática fresca. É capaz de ficar melhor, não achas? 

Para acompanhar bebi um branco bem fresquinho com castas de moscatel graúdo e fernão pires. 

Para acompanhar bebi um branco bem fresquinho com castas de moscatel graúdo e fernão pires. 

Destas terras só vem conforto, comida simples que abraça pelo cheiro e pelo sabor. Se a modéstia alguma vez for materializada será com certeza num prato de comida alentejana.

#BomApetite

À Mesa Da Filomena | Sopa Alentejana.

À Mesa DeEliana TomazComment

É com este prato muito tradicional que inicio mais uma rúbrica deste blog – Á Mesa De.


Apresento a mesa da Filomena, que adora cozinhar e providência verdadeiros repastos aos seus convidados com toda a elegância, ainda que se trate dum simples caldo alentejano.  Obrigada e até breve. 

Pois é, acompanhei a minha sopa com vinho tinto. Bem sei que devia considerar um branco, mas quando a comida é assim, confortável e confortante, a mim pede-me sempre um tinto. 

Por incrível que pareça, durante os 11 dias que estive no Alentejo comi mais do mar do que da terra. Berbigão, ostras, salmão, anchovas, polvo, pescada e como não podia deixar de ser, bacalhau!
Pela primeira vez provei a famosa Sopa Alentejana. Já tinha ouvido falar dela, mas não me tinha suscitado muita curiosidade uma vez que não sou grande apreciadora de caldos e sopas.
A verdade é que me tornei fã – esta sopa, só não é fácil de fazer (ou pelo menos parece) como é deliciosa, confortante e riquíssimo em sabores variados.
Adorei o sabor e textura do queijo de cabra fresco depois de cozinhado à volta daqueles coentros e espinafres. Ovos escalfados, nunca digo não: é provavelmente a forma de os cozinhar que mais aprecio.

Antes de passares à receita, aprecia bem esta mesa imaculadamente bem-posta. Tão serena que dá vontade reproduzi-la todos os dias. Bom apetite!

Modo de Preparação:
Numa panela refoga-se uma cebola, alhos e azeite virgem extra. Quando estes 3 ingredientes estiverem os sabores bem envolvidos, juntar um ramo de coentros cortado aos pedaços grandes – folhas e caules. Mexer bem, juntar os espinafres e água q.b..
Entretanto adicionar as postas de bacalhau. Uns minutos depois juntar o queijo fresco de cabra cortado aos quartos e abrir os ovos lá para dentro. Verificar sal. Deixar cozinhar até que os ingredientes fiquem no ponto que consideras o perfeito.

NOTA: tanto os coentros, espinafres como o bacalhau libertam muita água. Para o caldo ficar com a consistência certa, não juntes muita água à cozedura.

Ainda na panela depois dos ingredientes estarem todos juntos. 

Salada de Ovas.

Eliana TomazComment

Ovas de pescada dão saladas deliciosas. Também são boas à lagareiro, mas fresquinhas e rodeadas de ingredientes coloridos ficam sempre bem para entrada ou mesmo para um lanche de fim de semana. 

Não estava à espera de as comprar, mas quando as vi no frio do super não resisti - misturar os legumes todos que tinha em casa juntamente com uns tantos que já tinha deitado o olho, e ficou decidido. 

Como é que as cozi? Depois da água estar a ferver, juntei o sal e pimenta em grão. Acrescentei as ovas e deixei cozer durante 5 minutos. Depois desliguei o lume e deixei-as na panela enquanto fui beber um café com uma amiga à Baixa. Quando voltei, tirei-as da água e coloquei no frigorifico. Entretanto começou a preparação. 

Já tinha tomates cherry, azeitonas, milho e ovos em casa. Só comprei cebolinho e endívia - adoro o sabor destes dois veggies.

Só quando comecei a juntar os ingredientes é que percebi que não tinha acrescentado a flor de sal, cebola roxa, pimenta e azeite à fotografia - este azeite é caseiro, feito por um amigo alentejano do meu pai (é mesmo mesmo muito bom). 

Agora é só cortar tudo aos bocadinhos (excepto as endívias), juntar numa taça grande (a pimenta entretanto foi moida) e servir nas folhas das endívias. Fácil e rápido não é?

Quantidades, já sabem: se gostarem muito de ovos, acrescentem vários; se gostarem muito de cebola, meia não chega; milho é doce, se calhar uma lata pequena é muito. Eu gosto de sentir o sabor dos veggies todos, portanto sou muito democratica nas quantidades. Só não cometam o meu erro: comprei azeitonas com caroço (sem ter reparado) - acho que levei mais tempo a tirar o caroço do que a escrever este post.

Acompanhante? Vinho branco fresco fresquinho, e mais uma vez, Quinta do Carmo. Acho que uma cerveja caseira também acompanhava bem.
Para as fotos, usei a mesma tábua do salmão. Os dois pratos pequeninos foram-me oferecidos no Japão e o prato da salada pronta foi herdado da minha Tia Mena (Johnson Brothers| made in england). 

Faz salada de ovas a mais, ou não a leves toda para a mesa. Vais precisar dum restinho quando toda a gente for embora (ou para a cama) para o famoso assalto ao frigorifico.