Eliana Tomaz

a casa de

GIN LOVERS | zona de conforto do Mário Belém.

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Foi mais ou menos há um ano que o Miguel Somsen me convidou para escrever a primeira Zona de Conforto para a Única Revista de Gin do Mundo, a Gin Lover Magazine

Desta vez visitei a Zona de Conforto do artista e ilustrador Mário Belém, uma casa em Carcavelos que cheira a Verão e convida a ficar, leitura perfeita para este fim de semana.   

Já se encontra à venda, pela primeira vez versão bilingue português-inglês e, para os mais "electrónicos" também podem comprar versão digital. Eu como adoro revistas, folheá-las e cheirá-las deixo-vos fotos de algumas páginas. 

Bom fim-de-semana (e boas férias, se for o caso).  

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Capa pela maravilhosa Ana Gil, uma frescura que apetece abraçar. 

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Grafismo de Alberto Quintas

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Mário Belém, o artista que já nos conquistou a todos. 

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Fotografia de Bruno Barata.

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A revista para lerem este Verão, prometo! 

GIN LOVERS | uma zona de conforto fora da (minha) caixa.

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Uma coisa é escrever para o meu blog (em tom descontraído e coração ao alto), outra coisa é receber um convite do Miguel Somsen para escrever para a Única Revista De Gin No Mundo - ambos irresistíveis! 

Disse logo que sim (e só depois é que tremi dos pés à cabeça). Enchi-me de coragem e liguei à Isabel Zambujal que também disse logo que sim (acredito que logo de seguida perguntou-se onde é que se tinha metido...). A nós juntou-se o Carlos DiQuércia que retratou a Zona de Conforto da Isabel com toda a graciosidade do mundo. 

A Gin Lovers Magazine já está nas bancas (na loja online e na Gin Lovers Príncipe Real) repleta de histórias bonitas, fotografias cheias de vida e claro, as já tão aclamadas ilustrações da Ana Gil

FELIZ ANO NOVO. Que 2016 nos dê toda a força e determinação do mundo para nunca desistirmos das nossas ambições.   

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À NOSSA E À VOSSA! 

A Casa da Mariana e do Diogo | O Contemporâneo Renascentista.

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Assim que entrei na casa Dias Coutinho a sensação foi de estar a entrar para um quadro renascentista (mas contemporâneo). Poderia ser um quadro neo-renascentista, mas não! É exactamente um espaço renascentista contemporâneo onde tudo está representado ao mais ínfimo pormenor numa linguagem visual contemporânea, simples e muito pragmática.

A casa é infinita, ao pormenor e de traço suave. Os tectos estão lá em cima, altos como mandava na época que foram desenhados. O branco predomina e é a madeira de pinho em vários pormenores interiores que o torna imaculado. O chão em soalho de madeira escuro vem dar o calor e conforto que uma casa desta dimensão exige. Um espaço de poucas palavras mas as que diz, di-las num tom meigo como eu imagino que os 3 filhos do casal sejam.

Mariana Dias Coutinho, artista plástica conhecida pelas histórias românticas e poéticas que conta pelos muros e paredes das cidades e ainda pela fantástica série “Pedregulhos” que, sem querer ser redutora, passa por dar personalidade a meros pedaços de pedra, algo que raramente é apreciado fora de contexto. Diogo Dias Coutinho, empresário e o criador dos pequenos pormenores em madeira que vos vão saltar à vista quando menos esperarem. E ainda a Inês, a Caetana e o Simão sem nunca esquecer o maravilhoso, divertido e amiguinho Choné, um Ratonero Bodeguero.

Agora entrem, respirem fundo porque o belo está diante de vós. Bem-vindos!

Entra-se e percebe-se que a qualquer momento podemos ouvir piano. A sala de estar está para lá daquela porta que deixa passar uma nesga mas para chegar lá há que virar à esquerda e passar pelo escritório do Diogo onde exibe uma estante embutida onde eu poderia perder horas a ler nem que fosse somente as lombadas daqueles livros todos. No momento que apreciava ao pormenor o pormenor, o Choné deu os ares da sua graciosidade e deita-se à porta da sala – depressa o conquistei e deixou-me passar!

Sai-se da sala, passa-se o hall e de repente um corredor que promete ser longo e alto convida-nos a entrar. Não se vê o fim – uma ligeira curva não permite ver até onde vai mas também não interessa. Os detalhes decorativos são tão bonitos e a promessa do que se segue é tão interessante que deixei de imaginar o que estaria para lá da curva.

Silêncio. O quarto do casal é o silêncio – só!
Pormenores dourados sobre o branco, assimetrias à cabeceira, amor desenhado por um dos filhos. É só isto – e é isto que faz do silêncio o equilíbrio que se procura sempre num quarto. 

A primeira palavra que me vem à cabeça quando penso nos 3 quartos dou miúdos é “democracia”. 3 irmãos que julgo serem diferentes, idades relativamente seguidas, duas meninas e um menino mas os quartos são democráticos. Não são iguais porque há um bocadinho de cada um deles bem definido, mas efectivamente são democráticos –e parece-me também que são os irmãos que exercem a soberania lá em casa.  

Nada se compara a uma casa de banho grande, iluminada por luz natural e luminosa no início de cada manhã. Esta tem tudo isto e ainda a privacidade que este espaço requer. 

Percorrido o corredor e todas as divisões privadas, encontramos uma porta dupla que se abre para uma sala digna de jantar. Imaginei a mesa repleta de alegria, comida confortável e bom vinho, adultos a brindarem à saúde, as crianças a correr de um lado para o outro e o Choné a tentar decidir atrás de quem é que vai! Uma história diferente daquelas que a Mariana conta nos seus murais, mas tão poética como o seu traço e que nos eleva com tanta graciosidade como um Fresco de Raffaello ou Michelangelo.

A cozinha é um espaço estilizado verde menta que remata (e refresca ainda mais) a casa. Tenho a certeza que, no momento que ali entrei os meus olhos brilharam ainda mais. Sorri ainda mais e ainda mais vontade tive de lá voltar – nem que seja para ouvir a criançada a correr de um lado para o outro ou quem sabe até fazer parte das brincadeiras deles corredor fora.

Uma casa completa e repleta ainda que para Mariana esteja a faltar uma coisa – uma horta! Acredito que sim mas também acredito que a qualquer momento nasce uma, nem que seja na varanda estreita da cozinha ou quem sabe até, uma horta vertical a descer paredes abaixo junto às portas brancas e esguias, como se de um Fresco tridimensional se tratasse.   

A Casa da Cláudia | Representação Física do Silêncio.

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Cláudia Marques Santos, elegante na forma como se veste, exibe pormenores coquetes que passam despercebidos a muitos e combina os seus All Star em pele preta como ninguém. 

Pode soar a paradoxo dizer que esta casa é a representação física do silêncio já que a sua dona vibra intensamente com a música punk e conversa sem nunca se cansar, mas a verdade é que esta é efectivamente uma casa silenciosa – é o seu equilíbrio, o seu refúgio no bom sentido, é dizer “Adeus, até amanhã!” ao mundo.

É também uma casa sempre pronta para receber família e amigos. Por cá fazem-se muitos jantares, às vezes lanches. Se a mesa não está posta naquele terraço maravilhoso ou na sala, estará com certeza a qualquer momento.
Chás ou vinho para começar, petiscos a acompanhar, prato principal a rematar. É assim que a Cláudia recebe quem ama, com comida, bebida e um abraço de braços delgados acompanhados por festinhas nas costas abraçadas.

Esta é uma casa que pode ser vista da Graça mas também da Mouraria. Tem a seu cargo boas memórias de família e de viagens que fez pelo mundo tão vasto como as palavras que usa para se expressar – é um espaço cheio de notas escritas, apontamentos aqui e ali e um superlativo do conforto. Cláudia Marques Santos, AKA CMS, é jornalista freelancer, autora do projecto de entrevistas If You Walk the Galaxies e DJ por brincadeira, paixão que alimenta com muita rockalhada.

Já te sentiste abraçada? Então entra! Chá ou vinho? Também há café e água. 

Entramos no hall estreito, mas tão eficaz como a Cláudia. À direita temos a casa-de-banho, cozinha e o terraço; à esquerda a sala e escritório. Para o quarto temos a porta em frente mas mais imponente encontramos uma porta dupla na sala.

A casa é pequena (para os standards portugueses, já no Japão é uma mansão) mas está cá absolutamente tudo. A sala desdobra-se em sala de estar, jantar, escritório, biblioteca e ainda tem um closet super stylish para surpresa de todos. Sim, é uma casa tão pragmática como a sua dona.  

Se reparares bem, a constante é o black & white sempre com um pormenor ou outro que vinca bem o lado fiminino da Cláudia. 

O que gosta menos da casa é o facto do quarto ser interior, ainda que não lhe falte luz natural. Gostava de acordar e ter uma janela para a rua, mas se quisermos ver o lado bom, este é um apartamento numa casa que em tempos foi senhorial, cheia de vida e com certeza com muitas histórias para contar.  

Uma casa de banho pequenina mas o mais personalizada que alguma vez já vi. Cá também se encontram pequenas notas, recordações e referências a si e àquilo que a faz feliz. 

A cozinha é adorável: chaminé antiga, chão quadriculado e a passagem para um dos terraços mais bonitos e sossegados de Lisboa. 

O terraço que se apresente a ele próprio sem necessidade de procurar as palavras certas para o enaltecer. 

É uma casa pintada num dégradé de brancos pastéis (se é que isso existe), background perfeito aos milhões de palavras que por aqui vivem livremente. Se eu fechar os olhos vejo um papel branco, gigante, sem linhas nem quadriculados, umas vezes com letras soltas, outras com frases completas. Tal como a Cláudia Marques Santos, é uma casa muito feminina, convicta da sua existência, sem precisar de clichés para reclamar a sua veracidade. Um espaço onde vais querer ficar, por tudo e pelo silêncio que as palavras também te podem dar.

http://ifyouwalkthegalaxies.com/
https://www.facebook.com/volauvents

A Casa Da Rita Gomes | O Lado Emocional Do Minimalista.

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Conheci a Rita Gomes há duas Moda Lisboa atrás. Já conhecia o seu trabalho (que amo do verbo amar) mas ainda não a conhecia pessoalmente. Dirigi-me ao seu spot de venda no Wonder Room e perguntei se era A Wasted Rita – Sou, diz ela num sorriso e olhar envergonhados.

A Rita é assim, um olhar entre o provocateur e o naïve, sorriso simples mas cheio de certezas – certezas essas que nos ajudam a sentir mais vivos, mais humanos tal e qual como expressa na sua arte.

A casa onde vive é o seu espelho, o espelho das suas palavras estilizadas, minimalista mas jamais simplista. Para quem aprecia verdadeiramente o simples, ou seja, aquilo que já foi complexo mas que se conseguiu espremer ao essencial sabe do que falo.
Tudo está absolutamente no sitio certo, nada fora do lugar. Há peças que adquirem outras funções, como a t-shirt que vira tela pregada à parede, uma estante que exibe vários pares de ténis como se de uma sapateira se tratasse (ou os ténis meras peças de arte contemporanea), mas sempre tudo imaculadamente organizado. 

Entrem, deixem os sapatos à porta, subam as escadas, acomodem-se porque vamos entrar numa casa com vista para o céu, para o futuro e para os sonhos que nunca devemos abdicar.  

Subimos as escadas para aquele que outrora foi um sótão e vemos imediatamente a sua war station, ainda que seja conhecida pela artista cuja secretária preferida é a sua cama. Imediatamente sente-se um espaço minimalista e altamente funcional como um foguetão prestes a zarpar em direcção à lua, à sua lua que se chama Nova Iorque. 

O espaço é completamente enaltecido pela luz lisboeta. Diz que é um espaço privado cujas áreas estão bem definidas (sem necessidade de traços) – dum lado o trabalho, do outro o quarto sem que haja necessidade de barreiras. A isto eu costumo chamar confiança no espaço, algo muito difícil de conseguir quando passamos horas a fio a trabalhar a partir de casa.

Há um canto difícil de digerir, diz ela. Há qualquer coisa que falta naquele cubo espacial (mais luz), mas foi exactamente ali que eu me sentei, cruzei a perna à conversa e troca de experiências com a Rita – eu falei das minhas bravuras, ela das suas ambições, das minhas derrotas e das batalhas que ela já traçou. 

Quando passei a linha imaginária para o seu quarto percebi imediatamente na ligação que existe entre este espaço e a sua colecção Love Letters. Talvez não seja nada assim, talvez seja só o cor-de-rosa que os une, mas algo me disse que a fofura do espaço, as texturas das mantas, candeeiro de papel, da rosa ainda no vaso mas já murcha, da almofada de veludo e dos acessórios de moda não podiam ser um acaso porque aqui não há espaço para coincidências.

Esta casa é o presente da Rita Gomes, WASTED RITA para os amantes da sua arte. Amanhã pode ser outro canto, noutra cidade, noutro país, continente ou até mesmo noutra galáxia – não sabemos, mas sei que será tão “minimalist-ó-emocional” como este.

Para os curiosos visitem a Underdogs10 onde decorre uma exposição a solo do seu trabalho.