Eliana Tomaz

À Mesa De

FABULOSA | The Most Chic Coffee Shop in Lisbon - A Cafetaria Mais Chic de Lisboa.

À Mesa DeEliana TomazComment

Fabulosa means Fabulous and the truth is: this coffee shop in Santos, downtown Lisbon, is really fabulous.

Finally I (we) have a very chic space in the capital to enjoy lunch with a friend, a casual meeting over a strong coffee, a glass of wine in the middle of the afternoon and, as I do like very much, a place to engage with a Moleskine and a Caran d’Ache pen for a couple of hours on my own.

Trendy Lisbon is booming with so many spots that, to be really honest, I don’t find any interest in them. They are pretty much the same, with the same look, same kitchenware, same kind of approach – no wow factor to make it special. Fabulosa does, not only with the food they present, but the entire space is very elegant, somehow British chic with a Scandinavian twist (or maybe the other way around…).

The first time I saw pictures of Fabulosa, it wasn’t open yet. Mariana Dias Coutinho, my favorite (and fabulous) Street Artist had just finished a mural in the coffee shop toilet. The marble tables and some pictures on the wall caught my eye. But because I never go to opening days, I went there a few weeks after for a glass of wine with a friend of mine. It supposed to be a couple of hours, but we stayed there until 7pm, closing time. 

The marble together with dark wood brings the comfort a space needs to invite you in. This smooth stone is synonymous to elegance, richness without shouting it. Its veins give that quiet movement a (public) space needs, maybe that’s why this is the most timeless material architecture can embrace.

Brown and blue shades are the balance between warm and cold, cosy and minimal, casual and chic, British and Scandinavian. Isn't it?

The idea was to have a glass of wine, just to dandle the conversation but the smell invaded our noses and we ended up asking for “croquetes” (a Portuguese fried starter quite creamy made with meat - explanation for non-Portuguese only). But as the waitress told us they have a special one - made with bacalao and spinach - we had to try it on: delicious, different, fresher and saltier than the classic one – must try.

As I said before, I knew Mariana did a work there, so no surprise to me on the toilet project, though, her work is always a surprise to any of us – quite feminine, slightly provocative with a Renaissance dash (well, Renaissance artists were provocative too, weren’t they?). Anyway, it’s pretty strange to spend time in a coffee shop toilet, but believe me, once you get there, you will. 

FABULOSA – Cafetaria de Santos
Rua do Instituto Industrail, 7H
Lisbon, Portugal. 

À Mesa Com O Bastardo | Japão VS Portugal.

À Mesa DeEliana TomazComment

Quem diria que é na cozinha que eu sou feliz? Bem que o meu pai dizia que eu devia passar lá mais tempo… mas ele referia-se à lida da casa, tachos e guisados, já eu refiro-me às conversas com os chefs que desafiam a gastronomia convencional todos os dias, que se inspiram nas suas raízes e nas cozinhas das suas mães para hoje nos darem o melhor.
Luís Rodrigues é capaz de ser um dos melhores, se não o melhor, exemplo do que digo.

Por duas vezes falei com ele e em ambas mencionou as suas raízes:
1ª Jantava no Bastardo com um amigo. O chef veio à mesa perguntar-nos se tínhamos gostado e a conversa acabou por se desenrolar naturalmente.
2ª Na sua cozinha com a sua equipa a propósito do evento Japão VS Portugal.

Esta é a fotografia mais soberba e é com ela que ponho a mesa. Sentai-vos - o jantar vai ser servido!

Ontem foi o primeiro de dois jantares, ou melhor, rounds entre a gastronomia portuguesa e a japonesa. O chef Pedro Almeida do Midori ficou com uma parte da cozinha do Luís Rodrigues e o desafio começou. Eu, para apanhar tudo e sem preferências, ora estava dum lado ora do outro. Como seria de esperar, foi uma luta gulosa, justa e daquelas que só resultam vencedores – viva as parcerias e as partilhas.  

São 4 rounds, 8 pratos – sai um tuga, segue-se um japónico, nipónico! Para rematar seguem as sobremesas e para acompanhar vinhos lusos. As duas equipas juntas contavam com 7 elementos (+ eu e outro moço de máquinas em punho e água na boca).

A quem puder, vá lá hoje. Quem não puder, vá lá outro dia ou fique atento porque o Bastardo tem mais destas na manga. Também tem a próxima carta pronta para desvendar muito em breve e, segundo o chef e a Francisca (uma das cozinheiras), fiquei a saber que é ainda mais yummy.
Só peço uma coisa: ide com tempo, porque naquele restaurante dá vontade ficar, saborear e conversar. 

Ceviche de bacalhau, cebola roxa, puré e menta.

Nigiri de cogumelos eringi com pimenta sancho e manteiga de citrinos.

Raia, alhada de batata, ovinho e molho pitau.

Gunkan de lula crocante e espuma de manga picante.

Katsudon de salmão com gema a baixa temperatura.

Entrecostelas, feijão, xarém e pimentão doce.

Cereja, queijo de cabra, praliné e borragem.

Arroz doce com chá verde e yuzu.

Depois disto tudo despedi-me com um adeus e um gigante obrigada – até uma próxima! A minha vontade era mesmo dar um abraço apertado a todos, mas nestas coisas sou muito envergonhada. Fico de bochecha rosada (achavam eles que era dos fornos e fogões a bombar...), sem jeito e saio porta fora. Mais uma vez, obrigada Luís Rodrigues, Pedro Almeida, Carlos, David, Chica, Carla, Lena e Luis Neto não esquecendo a Bárbara, Sara e Alexandre. 

Estar nos bastidores, sentir aquele frenesim todo, o calor que incomoda, ver as falhas que acontecem ou os pratos que se partem dão-me uma perspectiva bem diferente daquela que tinha quando só me sentava à mesa para comer. Ser chef, pasteleiro, cozinheiro e ajudante não é tarefa fácil. Coordenar tudo com o chefe de sala até ao cliente que espera ansioso para ser deslumbrado com um manjar real, muito menos. Talvez seja nisto tudo que faz da comida e do comer um dos maiores prazeres que nós, seres humanos, temos o privilégio de sentir. Bom apetite!

NOTA: todas as fotos foram tiradas com uma pequena sony, sem flash nem tripé. 

À Mesa Com O Chef Giorgio Damasio | "Fusão Sem Confusão" no POPULI.

À Mesa DeEliana TomazComment

Pudesse eu, trazia o Populi aqui para o meu bairro. Gosto de me rodear de gente gira, inteligente, criativa e que tem prazer na partilha – de gente e de mesas de refeição como as do Chef Damasio, italiano mas rendido ao nosso país há 15 anos.

Antes de falar do Giorgio e do que partilhou comigo, tenho de falar do primeiro impacto que tive: o restaurante.
A ideia que tinha caiu por terra no instante que passei aquela porta imponente. Um espaço bem desenhado – grandioso como a Praça do Comércio onde reside mas, pela escolha de materiais, extremamente confortável.
Os tons sóbrios brilham com a intensidade da luz que entra janela e porta adentro. Só pensei: porque a vida com estilo é muito mais chic!!
Está lá tudo: a tradição (nos mosaicos hidráulicos), o conforto (nas madeiras), a riqueza (no chandelier dourado), a elegância (nos veludos vermelhos) e o metal (cinza das cadeiras) que une todos estes pontos com tanta mestria pela mão de Teresa Beirão da Veiga, arquitecta do projecto.

Chef Giorgio Damasio disse-me que a cozinha do Populi é “simples, tradicional e terra-a-terra”. E é! Mas desengane-se aquele que acha que o simples é fácil. Não é!
Em cozinha, o simples é o equilíbrio ente a essência do produto com as notas (ingredientes) que se adicionam para enaltecer ainda mais o seu paladar.
Quanto à "técnica" que usa, também esta tão simples como ir às suas origens genoveses, lembranças de criança e sabedoria dos mais velhos para dar um pouco de si a quem aprecia boa comida. Um fusão sem confusão falada em latim contemporâneo. 

Camarões em espetadinhas de citronella com molho agridoce de pimento e abacaxi.

Todas as receitas foram partilhadas pelo Chef (adoro gente que adora partilhar sem reservas). Como se trata de ingredientes vindos do mar decidi partilhar mais fotografias e as ditas receitas no Peixe é Fish. Clica aqui e inspira-te. 

Polvo com batata doce e grelos.

Não percam esta receita – o polvo é cozido em court bouillon perfumado c/ vinho tinto “desalcoolizado”, canela e aromáticas.

Assim se compõe um prato, com uma orquestra de panelas, talheres e fogões a cantarolar em background. 

Para ser melhor gente, tem que se ter coração de framboesa como este fondant de chocolate. 

Todas as ruas, metros e eléctricos dão à Praça do Comércio – não me digas que está fora de mão ou que é demasiado turístico. Também não me digas que não tens 3 horas para aproveitar o melhor que a vida tem para oferecer porque às vezes só precisamos dum momento para rematar o dia com uma espetadinha de camarões, um copo de vinho ou um único fondant com coração vermelho.
A vida é bela e está aqui mesmo para ser levada a sério. 

Fica muito para contar nesta mesa. Por exemplo, enquanto esperávamos que os fondants ficassem prontos, Giorgio descascava camarões e contava-me como é que conheceu a mulher da sua vida. Também me disse o que é que fazia com as ervas aromáticas que em breve deixam de estar frescas. Ainda falámos de raviólis e porque é que o risotto de peixe não leva parmesão. Talvez muito em breve haja outra mesa posta (só em italiano).

By The Wine | Sabores (Também) Estéticos.

À Mesa DeEliana TomazComment

Todos os dias Lisboa nasce mais bonita, mais trendy e cheia de graça. Espaços novos, cosmopolitas e com estratégias bem definidas abrem as portas ao mundo. Mas não é de estratégia empresarial que quero falar: quero mesmo é realçar o design bem questionado, pensado e definido que temos na capital - By The WIne.

Um espaço minimal cosy - simples, com personalidade e muita pinta. As referências às origens estão lá, a escolha do preto dá-lhe aquele traço minimal bem vincado e as madeiras o conforto que procuramos em espaços públicos e comerciais. Um bar essencial (e com muita essência) para quem também aprecia a estética na sua forma mais pura.

Pela mão do arquitecto Tiago Silva Dias, é-nos apresentado um espaço com vários pormenores de interesse sem que um se sobreponha ao outro e sempre com muito requinte.
As (já) famosas abóbadas com 3267 garrafas de vinho vazias, a parede atrás do balcão de trabalho decorada com garrafas de moscatel dando-lhe um contraste cor âmbar extremamente elegante e o (meu favorito) balcão corrido em pinho encerado com bancos altos onde podemos saborear um vinho a dois ou mesmo sozinho são o trio que compõem a forma & função deste wine bar. 

Duas das paredes estão revestidas com os vinhos (alguns de colecções privadas) que podem ser apreciadas em boa companhia, ou - mais uma vez - sozinho/a já que este espaço convida mesmo a uma visita sem companhia.
As estantes também foram desenhadas pelo arquitecto e feitas à medida por mãos com muita mestria e savoir fair.

Quando se começou a esquissar o projecto, decidiu-se alterar pouco o espaço. O chão manteve-se, os pilares e arcos em pedra foram postos à mostra, as escadas para o piso superior e a clarabóia mantiveram-se.
Essencialmente definiu-se a função do espaço com o recurso preciso aos materiais. A escolha da madeira de pinho encerada para o balcão, mesas e lambril aconchegam esta área gigante, uma pequena parede forrada a azulejos Fortuna dá aquele toque industrial chic onde os presuntos estão expostos (como se de uma charcutaria se tratasse) e os candeeiros em latão inspirados nas luzes de biblioteca também foram desenhados especialmente para o espaço e feitos numa latoaria de artesãos.

Aqui só não se bebe os vinho de José Maria da Fonseca como também se pode saborear acepipes (adoro a palavra acepipe) inspirados em receitas simples de casa do Ricardo Santos, um dos sócios do projecto. 

Rasgos de luz entram sem pedir licença, as escadas são discretas (que em dias de casa cheia virão bancos para momentos casual chic) e duma forma discreta lá se encontram pequenos artefactos associados à técnica do vinho. 

Para quem não quiser sentar-se ao balcão ou à mesa, pode somente passar por lá, comprar vinho e delicatessens para levar para casa. A escolha é vasta e para qualquer budget. 

Cada vez mais amo Lisboa, cada vez mais se dá importância a espaços de autor!
Bendito design, bendita arquitectura. 

À Mesa Com A Lisboète | Portugal Restaurant Week.

À Mesa DeEliana TomazComment

Começou ontem a 3ª edição da Portugal RestaurantWeek que tem por objectivo a democratização do acesso a menus de autor, contribuindo em simultâneo para causas sociais – haverá projecto mais rico que este?
Porque a culinária é puro design (digo eu!), o meu sonho de entrar numa cozinha de autor tornou-se realidade. O Chef Walter Blazevic da Lisboète deixou-me entrar nos seus bastidores para fotografar (e aprender muito) no primeiro dia deste evento que acontece em grandes cidades do mundo.
Foram horas de cheiros, sabores, cores, sons e muitos sorrisos que faziam qualquer um derreter-se de amor (estou a escrever isto e a arrepiar-me de tanto entusiasmo que senti e ainda sinto).

uma das entradas a ser preparada. está a meio mas já abre o apetite, não já? 

Antes de passarmos ao menu deixa-me apresentar-te o Chef nas minhas (e dele) palavras.
Para Walter B. a cozinha é a sua vida, o azeite o seu sangue e na sua casa Lisboète traz França até Portugal e leva Portugal até França – é isto, com mais pimenta, menos piri-piri e sempre com a quantidade de sal certa. 

entrada | AVELUDADO DE COUVE LOMBARDA, BACALHAU E CHOURIÇO.

outra opção de entrada | FOLHADO DE CAMARÃO.

prato | ESPADARTE COM CARIL E LEITE DE COCÔ, BASMATI CREMOSO E COURGETES CONFITADAS.

um aparte que vale a pena partilhar | grelhar uma posta de espadarte é tão simple e tão rápido - um minuto e está no ponto. 

a outra opção de prato principal | DUO DE PORCO (medalhão e bochecha), MOLHO DE MADEIRA E BATATA SALTEADA.

sobremesa | DELICIA EXÓTICA.

Como deves imaginar, tenho muitas mais fotos, até mesmo de outros pratos que clientes decidiram pedir mas por hoje ficamos pela apresentação de um dos menus deste evento. Não percam esta fantástica oportunidade e marquem mesa.

Aproveito para deixar já a dica que no dia 19 de Março vou voltar à cozinha do Chef para fotografar um dos eventos mais esperados do mundo gourmet: a celebração da gastronomia francesa –  Goût de Good France. 1000 Chef 1000 menus 5 continentes. Façam as vossas reservas aqui.

2 NOTAS FINAIS:
- não dei legendas às fotos de propósito - não quero que percas tempo a ler, quero que te delicies, que cheires e que proves cada bocadinho.
- partilhei pratos vazios (sem restos) exactamente porque a maior satisfação para um Chef é essa: a satisfação do cliente.