Eliana Tomaz

A Casa da Cláudia | Representação Física do Silêncio.

A Casa DeEliana TomazComment

Cláudia Marques Santos, elegante na forma como se veste, exibe pormenores coquetes que passam despercebidos a muitos e combina os seus All Star em pele preta como ninguém. 

Pode soar a paradoxo dizer que esta casa é a representação física do silêncio já que a sua dona vibra intensamente com a música punk e conversa sem nunca se cansar, mas a verdade é que esta é efectivamente uma casa silenciosa – é o seu equilíbrio, o seu refúgio no bom sentido, é dizer “Adeus, até amanhã!” ao mundo.

É também uma casa sempre pronta para receber família e amigos. Por cá fazem-se muitos jantares, às vezes lanches. Se a mesa não está posta naquele terraço maravilhoso ou na sala, estará com certeza a qualquer momento.
Chás ou vinho para começar, petiscos a acompanhar, prato principal a rematar. É assim que a Cláudia recebe quem ama, com comida, bebida e um abraço de braços delgados acompanhados por festinhas nas costas abraçadas.

Esta é uma casa que pode ser vista da Graça mas também da Mouraria. Tem a seu cargo boas memórias de família e de viagens que fez pelo mundo tão vasto como as palavras que usa para se expressar – é um espaço cheio de notas escritas, apontamentos aqui e ali e um superlativo do conforto. Cláudia Marques Santos, AKA CMS, é jornalista freelancer, autora do projecto de entrevistas If You Walk the Galaxies e DJ por brincadeira, paixão que alimenta com muita rockalhada.

Já te sentiste abraçada? Então entra! Chá ou vinho? Também há café e água. 

Entramos no hall estreito, mas tão eficaz como a Cláudia. À direita temos a casa-de-banho, cozinha e o terraço; à esquerda a sala e escritório. Para o quarto temos a porta em frente mas mais imponente encontramos uma porta dupla na sala.

A casa é pequena (para os standards portugueses, já no Japão é uma mansão) mas está cá absolutamente tudo. A sala desdobra-se em sala de estar, jantar, escritório, biblioteca e ainda tem um closet super stylish para surpresa de todos. Sim, é uma casa tão pragmática como a sua dona.  

Se reparares bem, a constante é o black & white sempre com um pormenor ou outro que vinca bem o lado fiminino da Cláudia. 

O que gosta menos da casa é o facto do quarto ser interior, ainda que não lhe falte luz natural. Gostava de acordar e ter uma janela para a rua, mas se quisermos ver o lado bom, este é um apartamento numa casa que em tempos foi senhorial, cheia de vida e com certeza com muitas histórias para contar.  

Uma casa de banho pequenina mas o mais personalizada que alguma vez já vi. Cá também se encontram pequenas notas, recordações e referências a si e àquilo que a faz feliz. 

A cozinha é adorável: chaminé antiga, chão quadriculado e a passagem para um dos terraços mais bonitos e sossegados de Lisboa. 

O terraço que se apresente a ele próprio sem necessidade de procurar as palavras certas para o enaltecer. 

É uma casa pintada num dégradé de brancos pastéis (se é que isso existe), background perfeito aos milhões de palavras que por aqui vivem livremente. Se eu fechar os olhos vejo um papel branco, gigante, sem linhas nem quadriculados, umas vezes com letras soltas, outras com frases completas. Tal como a Cláudia Marques Santos, é uma casa muito feminina, convicta da sua existência, sem precisar de clichés para reclamar a sua veracidade. Um espaço onde vais querer ficar, por tudo e pelo silêncio que as palavras também te podem dar.

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