Eliana Tomaz

By The Wine | Sabores (Também) Estéticos.

À Mesa DeEliana TomazComment

Todos os dias Lisboa nasce mais bonita, mais trendy e cheia de graça. Espaços novos, cosmopolitas e com estratégias bem definidas abrem as portas ao mundo. Mas não é de estratégia empresarial que quero falar: quero mesmo é realçar o design bem questionado, pensado e definido que temos na capital - By The WIne.

Um espaço minimal cosy - simples, com personalidade e muita pinta. As referências às origens estão lá, a escolha do preto dá-lhe aquele traço minimal bem vincado e as madeiras o conforto que procuramos em espaços públicos e comerciais. Um bar essencial (e com muita essência) para quem também aprecia a estética na sua forma mais pura.

Pela mão do arquitecto Tiago Silva Dias, é-nos apresentado um espaço com vários pormenores de interesse sem que um se sobreponha ao outro e sempre com muito requinte.
As (já) famosas abóbadas com 3267 garrafas de vinho vazias, a parede atrás do balcão de trabalho decorada com garrafas de moscatel dando-lhe um contraste cor âmbar extremamente elegante e o (meu favorito) balcão corrido em pinho encerado com bancos altos onde podemos saborear um vinho a dois ou mesmo sozinho são o trio que compõem a forma & função deste wine bar. 

Duas das paredes estão revestidas com os vinhos (alguns de colecções privadas) que podem ser apreciadas em boa companhia, ou - mais uma vez - sozinho/a já que este espaço convida mesmo a uma visita sem companhia.
As estantes também foram desenhadas pelo arquitecto e feitas à medida por mãos com muita mestria e savoir fair.

Quando se começou a esquissar o projecto, decidiu-se alterar pouco o espaço. O chão manteve-se, os pilares e arcos em pedra foram postos à mostra, as escadas para o piso superior e a clarabóia mantiveram-se.
Essencialmente definiu-se a função do espaço com o recurso preciso aos materiais. A escolha da madeira de pinho encerada para o balcão, mesas e lambril aconchegam esta área gigante, uma pequena parede forrada a azulejos Fortuna dá aquele toque industrial chic onde os presuntos estão expostos (como se de uma charcutaria se tratasse) e os candeeiros em latão inspirados nas luzes de biblioteca também foram desenhados especialmente para o espaço e feitos numa latoaria de artesãos.

Aqui só não se bebe os vinho de José Maria da Fonseca como também se pode saborear acepipes (adoro a palavra acepipe) inspirados em receitas simples de casa do Ricardo Santos, um dos sócios do projecto. 

Rasgos de luz entram sem pedir licença, as escadas são discretas (que em dias de casa cheia virão bancos para momentos casual chic) e duma forma discreta lá se encontram pequenos artefactos associados à técnica do vinho. 

Para quem não quiser sentar-se ao balcão ou à mesa, pode somente passar por lá, comprar vinho e delicatessens para levar para casa. A escolha é vasta e para qualquer budget. 

Cada vez mais amo Lisboa, cada vez mais se dá importância a espaços de autor!
Bendito design, bendita arquitectura.