Eliana Tomaz

A Casa Da Andreia E Do Zé | O Páteo (Jamais) Introvertido.

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Sempre me achei uma pessoa extrovertida, mas no outro dia lia um artigo sobre o assunto e a verdade é que me apercebi que sou mais intro do que aquilo que imaginava. Contudo, devo esclarecer que uma pessoa introvertida pode ser tão ou mais divertida do que uma que se dê mais ao exterior. É como o páteo desta casa – introvertido porque acontece para dentro, mas duma liberdade e proeza que fará de qualquer um de nós a pessoa mais dada e receptiva ao mundo.

Casa do Páteo- Lourizela, Aveiro.

Era um sonho da Andreia ter uma casa de pedra, sonho esse que ela nunca achou que se realizasse com tanta serenidade mas a verdade é que “esta casa fazia todo o sentido” - prova viva (e cheia de estilo) que há sempre uma altura e lugar certos para os sonhos virarem realidade. Um verdadeiro projecto de vida <3 

Chegar à aldeia de Lourizela algures nas encostas do Caramulo é fácil, desde que saibas que a estrada percorre-se eucaliptal abaixo, eucaliptal acima, curvas e contracurvas - viagem que promete dias bem passados, caseiros, confortáveis e de certeza muito inspiradores.

A casa foi recuperada em 18 meses por um empreiteiro especializado em construções de pedra. As ruinas foram todas deitadas abaixo, mantiveram as pedras (mix entre granito e xisto) e com estas reconstruiram do zero. A arquitectura foi idealizada pela Andreia e pelo Zé (ambos engenheiros mecânicos) que ainda administraram a obra directamente. Está cá tudo, de alma e coração. 

Para ver este espaço aconselho uma manta sobre as pernas, pantufas de pêlo, uma caneca de chocolate quente gigante e uma fatia do teu bolo favorito. Garantidamente que vais sentir-te em casa.  

Nesta aldeia todas as casas têm nome como as pessoas. Logo à partida uma história começa a ser contada e esta começa com “Era uma vez a Casa Do Páteo”.
A Casa do Páteo é o escape da Andreia, do Zé e dos pequenos Afonso e Zé Pedro, mas também pode ser tua. O Turismo de Portugal atribuiu-lhe o título de Alojamento Local, ou seja, se quiseres passar uns (ou muitos) dias no Caramulo podes alugá-la. Pode ser só para uma pessoa, mas aquele espaço pede muita gente, muita partilha.
Extremamente bem decorada, arquitectura contemporânea, acolhedora e de vivência muito fácil. O difícil é voltar ao rengo-rengo do dia-a-dia. 

A mezzanine dá amplitude ao espaço e a tal facilidade de ali viver em grupo. O espaço está disponível a todos, sem barreiras. Os miúdos adoram e os graúdos agradecem.

Quando se passa as portas da entrada o páteo recebe-nos de braços abertos e é a partir daquei que a nossa relação com a casa se começa a desenrolar. 

O páteo dá àquela casa tudo (e mais alguma coisa) que precisamos dele: luz mas também privacidade - nunca eu me senti tão protegida  (jamais privada de algo)  num espaço aberto como este. Pormenor arquitectónico muito inteligente, devo dizer!

Com vista para a serra ao som das ovelhas e cabras dos vizinhos, acorda-se com vontade de mudar de vida e sem vontade de confirmar as redes sociais que escravamente gerimos todos os dias. 

Eu sei que não devia dizer isto mas a verdade é que as casas de banho, uma em cada piso, convidam a duches infinitos. A água cheira bem e a pedra das paredes leva-nos a uma cascata daquelas que vemos em panfletos paradisíacos - acredita!

O quintal atrás da casa é a delícia para quem gosta de passar tempo ao ar livre. Com uma vista deslumbrante e um terreno fértil, não há nada que não se possa fazer ali (até a piscina que eles sonham um dia ter).

Agora, olha bem para estas fotos, para a fachada da casa e diz-me se alguma vez imaginarias que atrás daquelas paredes existe a casa contemporânea onde acabaste de entrar?