Eliana Tomaz

A Casa e Eu.

A Casa DeEliana TomazComment

Faz hoje um ano que mudei de casa: troquei um apartamento pequenino e muito cosy com 40m2 no bairro da Madragoa por outro com 70m2 na Rua do Olival (zona mais conhecida por Janelas Verdes) ambas na Freguesia da Estrela.

Duas casas completamente diferentes no tamanho, geometria, acabamentos, luz e temperatura naturais, mas nenhuma é melhor do que a outra. Como os amigos, não há um melhor que o outro: há sim assimetrias entre si que proporcionam partilhas diferentes.

E já que menciono amigos, deixa-me dizer que durante este ano estiveram cá amigos, amigos de amigos que não voltei a ver, amigos de amigos que ficaram amigos; deram-se almoços, jantares e dormidas; gatos, amigos dos gatos e outros pouco amigos de gatos - como verdadeira portuguesa que sou, cá em casa toda a gente é bem-vinda (desde que venha por bem).

Diz-se que a casa é o nosso reflexo, mas eu acredito mais que a nossa casa é a relação que temos com nós mesmos. Um reflexo é estático, mas uma relação é a permissão para conhecimento e evolução. A nossa casa fala a mesma linguagem que nós, comunica por telepatia, compreende-nos no silêncio e no caos, sabe que às vezes basta ouvir para que tudo se torne mais simples. O nosso espaço evolui todos os dias connosco: mais um jantar, mais uma conversa (ainda que seja ao telefone), mais um achado, mais um objecto, mais um presente e tudo isto resulta em mais um história para contar.

E é por tudo isto, que na nossa casa só deve haver duas regras:

- regra #1: é nossa comfort zone onde recuperamos energias, rimos e choramos os momentos bons e menos bons;

- regra #2: é a nossa outside the box zone onde somos tudo aquilo que não conseguimos ser e fazer lá fora, onde deixamos a nossa inspiração guiar-nos e onde todas as histórias acabam bem.

Eu e a Miu Miu em casa num daqueles momentos simples que fazem parte duma história que acaba sempre bem - amizade.

Fotos na minha casa.